23.3.14

Resenha: Admirável Mundo Novo

Postado por: Stefanie


 Durante toda a graduação de Letras, tudo o que fiz foi ler livros clássicos. Ao me formar... Desejei me dar merecidas férias. Clamava só por leituras leves... Contemporâneas, algumas até... “fáceis”, simplórias; mas como um bom filho sempre a casa torna... Bateu uma saudade louca de mergulhar em um daqueles livros clássicos que tanto odiava, durante o colégio, e passei a tanto amar, durante a faculdade. Pois bem... Queria voltar. Não sabia o que ler... Só não imaginei que seria tão sortuda em, logo de cara, não só encontrar um livro incrivelmente bom... Mas como, também, um dos melhores que já li em toda minha vida.
 Sem sombra de dúvida.






 “Admirável Mundo Novo” é o mais conhecido livro de Aldous Huxley, escritor inglês talentosíssimo. Tenho de admitir que é o primeiro livro do autor que leio, mas... Sinceramente? Com a riqueza do enredo... Com a sátira inteligentíssima que se estende por cada uma das páginas... Sinceramente não penso que a grandiosidade dessa obra seja apenas uma jogada de mestre. Uma sorte momentânea.
 O livro nos apresenta nada mais, nada menos, do que um suposto “futuro-mundo”, no qual pessoas são pré-condicionadas biológica e psicologicamente. O que é isso? É como se você vivesse em um mundo em que, antes mesmo do seu nascimento... Cientistas alterassem seu DNA, escolhendo por eles mesmos as características que você terá ao nascer. Parece bom? Talvez à primeira vista... Até você notar que esse mesmo mundo é dividido por castas que vão desde Alfa, a “classe superior”; a Ípsilon, “classe inferior”.
 Essa sociedade “moderna” não possui ética religiosa ou princípios morais dos tempos em que vivemos. Mas o mais engraçado... Apesar de soar absurdo, é a maneira como o narrador nos mostra que, no caminho em que estamos, é exatamente para esse tipo de vida que caminhamos. Afinal, nesse “Novo Mundo”, a ciência tomou tanto conta da vida das pessoas que estas até mesmo, por todo o tempo, recorrem a drogas que têm o poder de eliminar qualquer insegurança, medo ou tristeza. Aparentemente não tem algum tipo de efeito colateral... Mas, com o decorrer da narrativa, podemos perceber que essa droga, conhecida como “soma”, nada mais faz do que simplesmente alienar seus usuários.
 Por que deixar que as pessoas pensem se é tão mais vantajoso simplesmente controlá-las à vontade do Governo?
 Um deles, de repente, não viu mais vontade em provar do desejado soma.
 Bernard Marx então é um dos protagonistas. Psicólogo, nota que há algo de errado, incômodo. Tanto é que começa a questionar demais... Aquele tipo de atitude que o Estado odeia que as pessoas façam, sabe? Ignorando qualquer tipo de lei, e as pílulas de soma, Marx passa a questionar tal modo de vida... Até que, um dia, ele decide viajar com Lenina, Vacinadora no Centro de Incubação e Condicionamento, para um lugar que é conhecido como Malpais. Lá... Descobrem que existem pessoas que ainda vivem como índios. Nas palavras deles, “Selvagens”. Os quais não só vivem próximo a como nossos antepassados não tão distantes viviam, mas como, também, ainda inclusive creem em Deus.
 Um absurdo para Ford.
 Acreditando que isso poderia ajudá-lo de alguma maneira, Marx escolhe John para trazer consigo ao “Novo Mundo”. Selvagem que não só vai contra as ideologias dessa modernidade, mas como, também, utiliza-se das palavras de ninguém menos do que Shakespeare, para argumentar. De tal maneira que não só causa estranhamento naquelas pessoas alienadas, mas como, também, acarreta em sua própria desgraça.
 Uma cidade sem família. Sem vínculos. Sem sentimentos. Uma sociedade que valores morais e individuais são totalmente descartados. Desnecessários. Um mundo desenvolvido a partir de onde estamos... Por um dia terem permitido que, ao invés de controlarmos a ciência, simplesmente a deixamos nos controlar.
 “Admirável Mundo Novo” é incrivelmente inteligente. Com suas jogadas de mestre, suas críticas certeiras e relevantes... O livro mostra-se extremamente atual, mesmo após mais de 80 anos. Justamente porque notamos, a cada nova página, que o caminho por eles percorrido, se assemelha muito pelo o qual caminhamos todos os dias. De um jeito tão desgovernado e ilusório... Que sinceramente gostaria que essa genialidade só ficasse no livro. Bem longe do mundo em que vivemos.



Título: Admirável Mundo Novo
Autor: Aldous Huxley
Páginas: 309
Editora: Editora Globo
Nota: ★★★★★♥

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