15.5.14

Resenha: O Ladrão de Raios

Postado por: Stefanie


 Então...
 Eu li Percy Jackson.




 “O Ladrão de Raios” é o primeiro livro da famosa série “Percy Jackson e os Olimpianos”. História aclamada e bem defendida por milhares de fãs fervorosos que inclusive se denominam, também, como semideuses; a qual conta a história do menino Percy que passa por uma série de aventuras ao lado de seus parceiros, mas não sem um toque especial de mitologia grega e romana que dá à narrativa um novo ar. Porém, aos meus olhos, é o que dá à narrativa uma das únicas coisas que a deixa boa.
 Percy Jackson é um menino de doze anos que fica pulando de uma escola interna para a outra, por sempre ser expulso. Justamente porque, misteriosamente, coisas estranhas acontecem com nosso protagonista sempre que ele acredita ter uma nova chance. Tanto que, no começo desse livro, nós o conhecemos tendo seu ano letivo na Academia Yancy, uma escola particular para crianças problemáticas. Ou seja, um colégio para crianças que se enquadram na personalidade do personagem que sempre acaba sendo expulso. Um lugar perfeito para ele, não?
 Não mesmo.


 Certo dia, como esperado, Percy Jackson se mete em mais uma encrenca. O que ele não esperava é que o que aconteceria consigo seria ainda mais misterioso do que das outras vezes. Justamente porque, nesse dia, o personagem nada menos nada mais precisa enfrentar sra. Dodds, sua professora que simplesmente se transforma em uma Benevolente. Aquelas da Mitologia Grega.
 De repente o protagonista passa a descobrir que tudo o que vivera tinha o grande propósito de escondê-lo de algo, de alguém. Tanto que, mais uma vez expulso, Percy se vê perdido, sem saber onde vai tentar voltar a estudar. É quando segue para um acampamento. Lugar em que compreende alguns mistérios de sua vida, inclusive que é filho de um dos grandes Deuses do Olimpo. Legal, não é? Isto se ele pudesse aproveitar. O que não é o caso já que o protagonista recebe a grande missão de encontrar o Raio de Zeus, o qual fora simplesmente roubado. Principal objeto de seu poder que, se não for devolvido até solstício de verão, acarretará à Terceira Guerra Mundial.


 Imaginou um livro intenso cheio de aventuras?
 Até que é. Se não fosse a maneira com que me soa “muito mais do mesmo” no início. Como se o autor, apesar de sua sabedoria para fielmente acrescentar mitologia à história, não fosse muito criativo em desenvolver a narração, principalmente ao que diz respeito às aventuras. Justamente porque o desfecho de muitos momentos “de ação” me soam extremamente comuns nos livros e filmes de fantasia mais famosinhos. Como se Rick Riordan, antes de escrever o livro, tivesse feito uma espécie de sessão pipoca com os dez filmes de fantasia mais assistidos nos últimos tempos. Uma espécie de compilação que realmente torna-se digna de atenção quando encontramos mais uma vez determinado protagonista x derrotando inimigo y que, de repente, ninguém mais se lembra que outrora existiu, só ele.
 Pois é, sei que você já viu algo assim por aí.


 Esse é o grande problema da obra aos meus olhos. O livro é divertido? Claro que é. Inclusive a caracterização dos deuses é extremamente encantadora, mas o autor peca e peca feio em alguns momentos de ação, justamente porque me parece um monte de retalhos de outros filmes e livros em um único momento que, aliás, passa rápido demais. Me pergunto se Rick Riordan respirou entre uma ação e outra, porque elas acontecem a todo o tempo, sem um minuto sequer de descanso. O que, aos meus olhos, deixou a narrativa um tanto quanto corrida demais em muitos momentos.
 Mas não é feita só de pontos negativos, não! Tem muita coisa legal em Percy Jackson além da mitologia. É o que tenho a dizer a respeito da caracterização dos personagens secundários. Principalmente aos parceiros diretos do nosso protagonista que, apesar de não serem muito carismáticos, como a exemplo do pequeno Grove, nos apresenta uma relação bem real. Principalmente ao que diz respeito à Annabeth e Percy, em trechos como esse aqui


- Por que você não pode fazer uma oração dessas para nós? – perguntei.
- Só funciona com animais.
- Então só iria afetar o Percy. – ponderou Annabeth.
- Ei! – protestei.
 Percy Jackson - O Ladrão de Raios, p. 265

 Quem nunca tratou um amigo com esse tom de brincadeira? É exatamente esse toque de realidade que mais me encanta na narrativa, porque os diálogos e sentimentos das personagens me soam inclusive apalpáveis. Como se eu mesma já tivesse vivenciado ou presenciado alguns deles.
 O livro é narrado em primeira pessoa, e o narrador, no caso o próprio Percy, é muito carismático. Inclusive o qual até mesmo me surpreende, por não ser aquele típico protagonista certinho que abaixa a cabeça aos seus superiores e vence à base da conversa. Percy Jackson é folgado, ele se impõe, até mesmo perante os Deuses de Olimpo, mostrando-se alguém de personalidade forte que não mede esforços para defender o que acredita. O único e grande problema é que o autor não convence quando diz que o menino tem apenas doze anos. Justamente porque uma criança de doze anos não me parece alguém parecido com o Percy. Ele me soa bem mais velho e acredito que teria melhorado se Rick Riordan não tivesse exagerado nesse ponto.


 Apesar do que parece, eu gostei de ler Percy Jackson. Não é um dos melhores livros que li, mas é bem divertido e se torna bem mais eletrizante com o passar das páginas. As personalidades dos personagens foram bem pensadas, mas destaco aqui a elegância e temperamento do melhor Deus do Olimpo, Hades. De qualquer maneira... Favoritismo à parte, vou seguir com a leitura e torcer pra ficar ainda mais divertida. Ao menos quanto à mitologia e personalidades está valendo muito a pena. 

Título: O Ladrão de Raios
Série: Percy Jackson e os Olimpianos
Autor: Rick Riordan
Páginas: 385
Editora: Intrínseca
Nota: ★★★

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