10.6.14

Resenha: Iluminadas

Postado por: Stefanie


 Iluminadas é aquele tipo de livro que faz você se sentir enganado pela publicidade.




 Diversos prêmios, uma capa criativa, uma sinopse bem escrita. Esses são só alguns dos motivos que te fazem entrar em uma livraria e procurar por esse livro. E eu? Não só procurei fervorosamente como também deixei vendedores loucos em diversas livrarias até conseguir o meu volume físico. Por quê? Porque a pessoa que fez a sinopse desse livro é realmente talentosa, dona de uma retórica tão indiscutivelmente atraente que não consigo entender como não a(o) chamaram para escrever a sinopse de “Morte Súbita”.
 Ué... Não estamos falando de livros ruins?
 “Iluminadas” então nos apresenta Harper Curtis, um serialkiller por obra do destino. Isso porque, certo dia, depois de se meter em uma enrascada, ele consegue entrar em uma casa aparentemente vazia, a qual... Misteriosamente, traz o nome de nove garotas que devem ser mortas. Por quê? Porque, segundo o livro, são “iluminadas”.
 Só não me pergunta o que isso quer dizer, porque em 314 páginas nem a autora conseguiu explicar.


 Como se o livro já não estivesse cheio de mistérios questionáveis... Esse vilão de repente então descobre que existe uma espécie de portal dentro da casa que pode levá-lo a qualquer lugar. Mas calma lá! Não é qualquer lugar como na livraria, ou na padaria da esquina, mas sim a qualquer lugar do mundo em qualquer tempo.
 Não deu pra entender?
 Digamos que, nesse momento, além de ser um romance policial, o livro se torna uma espécie de ficção científica, porque Harper adquire o poder de viajar no tempo. Passado? Semana que vem? Um futuro longínquo? Não interessa, com Harper não tem pressa.
 A partir de então o serialkiller precisa viajar pelo tempo todo santo dia para encontrar cada uma das garotas. Porque, sim, ele precisa matá-las com a desculpa infundada de que elas brilham, e esse motivo é tão inexplicável e infantil que só me faz lembrar disso aqui:



 Quem nunca?
 Pois é.
 Mas como nem tudo são flores... Certo dia Harper se vê pronto para dar cabo da vida de Kurby, uma das nove garotas, só não contava que ela conseguiria sobreviver, o que não só causa um problema em seus planos, mas como também sua caçada. O que pode te dar a impressão de uma cena imbecil de uma menina babaca seguindo uma pessoa que na verdade nem vive na época dela. E é nesse momento que me vejo na obrigação de te dizer uma coisa:

 É isso mesmo.

 Os capítulos alteram a todo tempo, o que também prejudica bastante a leitura. Não falo de uma construção estilo Dan Brown, que alterna compreensivamente e sem fazer uma grande lambança. Nesse livro a autora deve ter tentado criar uma espécie de omelete literário. Tirando o fato de que um omelete ao menos é bom. Esse livro? É absurdamente mal escrito. E é sobre isso que quero falar.
 Não foram poucas as vezes que senti sono e uma ligeira pena pela autora. Isso porque às vezes ela tenta criar tanto um livro... Macabro, que ela peca (e feio!) pelo exagero. O que dizer então do exacerbado uso de palavrões? Quem me conhece sabe que falo palavrão a torto e a direita e eu mesma me surpreendi com a quantidade usada, imagine então uma pessoa que não tem o costume. O problema nem é tanto esse... Porque é totalmente compreensível que cada história peça um tipo específico de linguagem, mas há uma grande diferença entre você querer fazer uso de gírias e palavrões e você saber como fazer uso deles. O que a senhora Beukes com certeza não sabe.  Simplesmente porque tenho a sensação de que eles foram simplesmente jogados para tentar (só tentar) causar uma impressão mais intensa. Porque o uso de palavras de baixo calão em sua narrativa é tão pobre que ela me soa como uma adolescente que acabou de aprender a palavra “porra”.

 Sabe aquelas pessoas que aprendem um palavrão novinho em folha e o usam 5 vezes na mesma frase até aprender outro?
 Pois é.

 É forçado. É fraco. É mal escrito. É porco! Mas se você acha que eu só tenho coisas ruins a falar do livro... Calma lá, não sou tão ruim assim.
 Tirando todos os pontos ruins... (90%) O livro tem lá suas boas coisas. O bastante para que eu tenha de admitir que a ideia é muito boa, tanto é que comprei o livro. Realmente interessa. Realmente deixa o leitor curioso para saber do que se trata. O problema é que boas ideias nem sempre vão para pessoas que sabem o que fazer com elas. A pena é que a senhora Beukes não foi também esperta o bastante para doar a ideia para quem sabe escrever, o que não é o caso dela.
 Porém, todavia, entretanto, tenho de também admitir que ela soube como criar o perfil de um bom assassino. Porque Harper é indiscutivelmente foda. O vilão do livro não é só bem construído, mas como o jeito com que ele mata suas vítimas é digno de atenção. Digo até que as únicas cenas que realmente prendi toda a minha atenção foram as de assassinato. As outras? Chatice mal escrita e motivos que não convencem.


 Se eu indico “Iluminadas”? Nem pensar. Muito menos com o final clichê que eu tenho certeza que já vi em 545123154865121247375996 filmes. Mas deixo aqui meu alerta para vocês que, como eu, às vezes caem na isca da publicidade. Tomem cuidado. Sugiro até que leiam algumas páginas antes de decidir levar o livro para casa, porque você pode se enganar e acabar gastando dinheiro com algo que poderia (e deve) ser deixado lá, na prateleira.
 Na verdade nem sei porque publicaram.
 Será que o editor talvez se apaixonou pelo Harper como eu? Poderia até compreender.
 By the way, será que posso pedir meu dinheiro de volta?

 Vai que cola, né.


Título: Iluminadas
Autora: Lauren Beukes
Páginas: 314
Editora: Intrínseca
Nota: 

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