22.6.14

Resenha: Misery

Postado por: Stefanie


 Sabe quando você lê um livro e a primeira coisa que você pensa é: “Por que não tive essa ideia antes?”?
 Pois é.




 Em “Misery”, de Stephen King, conhecemos o escritor Paul Sheldon. Porém, como esperado do autor em questão, essa “apresentação” deveria ser no mínimo peculiar. Isso porque, logo na primeira página, percebemos que o Senhor Sheldon não está em um lugar que alguém escolheria de livre e espontânea vontade.
 Que escritor nunca se aborreceu com um dos próprios personagens criados? Paul se irritou com um deles. Ao ponto de dar cabo de sua vida em seu último livro, ansiando ver-se livre de um peso que não mais suportava. O escritor só não contava que tinha uma fã um tanto quanto... Fervorosa que, desgostosa com o destino de sua personagem favorita, simplesmente o sequestra em uma tempestade.
 Agora Paul está preso, longe do mundo, com as duas pernas quebradas, sob os cuidados de uma mulher louca que não mede esforços para mantê-lo a sua mercê. Ela quer que o destino de Misery seja reescrito. Ela a quer de volta, viva. Não importa o que precise fazer para conseguir o que deseja. O que se torna bem real para Sheldon no momento exato em que, ao acordar em um quarto que fede a vômito e mofo, uma das únicas companhias que ele passa a ter é a de uma máquina de escrever velha, enferrujada. Tão podre quanto sua vida tem se tornado.


 “Misery” se tornou simplesmente um dos melhores livros que já li em toda minha vida. Apesar de ser apaixonada pelo tema em questão, tenho de admitir que não leio muitos livros do gênero, principalmente de Stephen King. Só não esperava que estava perdendo tanto assim. Justamente porque o livro é feito com uma maestria incalculável, elaborado por um homem que visivelmente tem uma mente perversamente criativa. O que se torna ainda mais digno de respeito porque esse livro originalmente foi escrito em 1987.
 Céus... Se ele escrevia assim há décadas, como esse homem escreve hoje?
 Stephen King acertou em cheio. Na ideia original, no desenrolar do enredo, na caracterização dos personagens... Em tudo. Sinceramente nunca sequer li algo parecido. Sinceramente não consigo sequer encontrar um ponto para fazer uma pequena observação negativa. Isso porque eu sequer pude largar o livro, nem por um segundo sequer. Justamente porque Annie, a nossa simpática psicopata, quase que nos tortura junto com Paul. Não com os mesmos métodos físicos e contínuos... (Graças a Deus!), mas com um suspense e crueldade que estranhamente nos atrai.


 Ao ler esse livro, você vai encontrar uma série de reviravoltas que vão te fazer querer roer as unhas, arrancar os cabelos. Vai se sentir também colocado em um quarto escuro e presenciar, pessoalmente, cenas de tortura desumanas. Além disso... Stephen King é tão bom no que faz, e suas descrições são tão bem descritas que até agora pareço ainda sentir o cheiro da carne de Paul queimando, mesclando-se ao ambiente podre que Annie o aprisiona. Quase como se eu pudesse de novo presenciar sua loucura, porque essa também é brilhantemente construída em descrições e diálogos inteligentemente moldados.
 Outro ponto que me sinto na obrigação de comentar é a maestria do autor para fazer uso de palavras de baixo calão. Chega a ser delicioso ler cada um dos palavrões utilizados. Isso porque, ao contrário do livro anterior que li, ele realmente sabe como contextualizar palavras que algumas pessoas abominam. Porque os palavrões são tão bem colocados que, com certeza, se tornam um espetáculo a parte em toda a narrativa, tornando-a mais real, mais tocável, mais digna de respeito. Tanto, que por diversas vezes inclusive me peguei questionando se realmente se tratava de uma ficção, porque esse livro parece tomar vida quando sobre as mãos. Como se as palavras desaparecessem, e tudo o que você começasse a enxergar fosse um filme.


 Juro que estou tentando não puxar muito o saco do autor, mas esse livro me fez levantar e aplaudir, ao alcançar a última página. É genial. É lindamente doentio. A falta de piedade até mesmo de Stephen King é incrível, justamente porque conseguimos perceber que ele não se importa em escrever um livro bonitinho, ele quis escrever um livro que te deixasse arrepiado, com medo, com receio de ir pegar um copo d’água na cozinha às quatro da manhã.
 Já mencionei que é genial?
 Sinceramente, depois dessa me sinto na obrigação de ir quase que correndo atrás de outros títulos do autor. Alguém aí tem alguma sugestão? Que não seja a “Torre Negra”, por favor, ainda estou estacionada no primeiro livro há anos. Fazer o quê? Porém, casos de amor e ódio à parte... Esse é sensacional. Ao ponto de me fazer querer prontamente relê-lo, e mais uma vez entrar no mundo doentio de Annie Wilkes e sua louca obsessão por um livro que seja escrito exatamente da maneira que ela quer.
 Acho que, dessa maneira, nem preciso dizer se recomendo ou não, não é?



Título: Misery
Autor: Stephen King
Páginas: 326
Editora: Suma das Letras
Nota: ★★★★♥

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