14.7.14

Resenha: Sangue Quente

Postado por: Stefanie


 E chegou o momento de eu resenhar o tão polêmico “Sangue Quente”. O livro que é quase unânime na lista negra da maioria dos fãs de zumbis enquanto... Para mim?
 É um dos livros mais encantadores que li no ano.





 “Sangue Quente” é um dos incontáveis livros de zumbis que há no mercado. Inclusive, um dos mais odiados, pelo o que pude ver. Isso porque, ao invés de uma legião de mortos-vivos que só querem comer, comer, comer... Os zumbis dessa história tentam reverter esse... Hábito. Isso porque, certo dia, após uma nova caçada por apetitosos humanos... Algo inédito acontece com R, o zumbi principal da história.
 Quando provam o cérebro dos humanos... Os zumbis, aqui, têm flashes de como era a vida das vítimas até aquele momento. Algo até mesmo comum... Que R inclusive não dá muita importância, até o momento em que ele prova o cérebro do jovem Perry Kelvin. Já que, dessa vez, é como se as memórias dessa vítima em especial simplesmente se multiplicassem dentro de R, causando algo que ele nunca tinha sentido antes. O que se torna ainda mais intenso no momento exato em que ele desvia sua atenção para a suposta próxima vítima... Porque ao encontrar a jovem Julie, ele ainda mais tem certeza que algo dentro de si mudou.
 Ele não consegue matá-la... Sequer machucá-la. R se vê encantado por uma Viva. Não encantado no sentido de que precisa urgentemente prová-la. Mas no sentido de um zumbi querer simplesmente proteger uma mulher viva, se apaixonar por ela, a partir de memórias que sequer são dele.
 E é nesse momento que a história ganha uma legião de haters... Que acham um absurdo haver uma espécie de romance entre pares tão distintos. O que talvez chega a até ser compreensível para aqueles que querem sempre uma base fiel... Mas eu, pelo visto, realmente só sou do contra.
 Ao menos na maioria das vezes.

O início de cada capítulo ainda começa com uma bela ilustração de alguma parte do corpo humano ♥

 “Sangue Quente”, para mim, é uma história tristemente encantadora. Digo triste porque pude perceber que tudo o que tem a ver com zumbis, aos meus olhos, soa quase que como um drama. Não drama no sentido ruim da palavra... Mas de tratar-se de um enredo que faz eu me sentir triste, com dó. Com pena até. Ainda mais que, ao contrário dos grandes clássicos sobre zumbis... Dessa vez o foco não é nos humanos sofredores que tentam desesperadamente sobreviver. Aqui a história é contada a partir dos próprios zumbis. É o ponto de vista deles, e os Vivos são deixados em segundo plano. O que, aos meus olhos, só engrandeceu o enredo, nem tanto por ser algo incomum, mas pela sabedoria com que o autor soube usar as palavras.
 Não falo do precário vocabulário dos zumbis, sequer dos diálogos em si. Em um apanhado geral, a narrativa do livro não é das mais complexas. Porém, antes que me interpretem mal, isso não é uma crítica negativa. Pelo contrário. Dou muito valor a quem faz uso das palavras no seu sentido mais puro, simples até. Isso porque o senhor Marion soube escrever um livro leve e ainda profundo. Isso porque, em certos momentos, a narrativa chega a até mesmo me soar poética. É bonito de ler, entende? É sensível a maneira como alguns pontos da história são narrados. Como ele faz uso de palavras aparentemente simples que, quando juntas, se tornam até mesmo profundas.


 O que então dizer dos personagens? São encantadoramente construídos. Os quais têm suas características únicas que os faz individuais mesmo quando só se tratando dos zumbis. Isso é... Deveriam sempre fazer o mesmo, não? Procurar Vivos, comer, procurar Vivos... Comer de novo. Não? Aqui não. Cada zumbi, apesar de Morto, tem ainda uma característica que o faz único. Quase como um sopro de memória do que ele já foi um dia, sabe? Como se, depois de tornar-se um morto-vivo, algo ali dentro ficasse, nem que só um fio. Um fio fraco e fino que não chega a cheirar à vida... Mas mais como uma base que o difere. Nem que em só um único e mínimo detalhe.
 O livro realmente pode soar simples para muitas pessoas... Mas, eu, inclusive encontrei muitos pontos que me fariam discutir por horas e horas a fio. Mensagens deixadas até mesmo entrelinhas... De um misto de memórias e sonhos não concluídos. Os quais são tão fortes, mas tão fortes – ao menos aos meus olhos – que florescem até mesmo em terceiros. Como se a força de vontade, nessa história, por se construir um novo mundo, fosse capaz de ultrapassar qualquer barreira. O que talvez possa até soar piegas, e um tanto quanto clichê, se não fosse narrado de um jeito tão sutil. Sabe? Não é algo escrito... Não está nas palavras. Mas algo que você simplesmente percebe, encontra, entrelinhas.


 Acho que sequer preciso dizer que amei o livro, não é? Se precisa... Eu amei. Sinceramente, só houve um ponto que me incomodou pra valer, mas não vou contar porque é spoiler. Mesmo agora, dias após a leitura, não consigo concordar com o que aconteceu nessa única cena. Para mim, havia outra solução. Entendo essa escolha, mas apenas não concordo. Por causa disso o livro perdeu, pra mim, uma estrela, mas ainda, sem dúvida, é um favorito. Aliás... Acho que é o primeiro livro que favorito e, ainda assim, não dou cinco estrelas.

 Bom... Deixando esse “porém” de lado... O livro se torna poderoso. Tanto na criatividade, no desenrolar da narrativa e na maneira como o autor soube abordar temas tão profundos em só 252 páginas. Sério... Até mesmo agora, não entendo como ele conseguiu essa proeza. Mas tá lá... 252 páginas lidas e, posso garantir, não tem algo faltando. Não senti um enredo corrido, muito menos atropelado. Tudo correu no tempo certo, na medida certa, e de um jeito que eu não posso fazer menos do que agregar muito valor.



Título: Sangue Quente
Autor: Isaac Marion
Páginas: 252
Editora: Leya
Nota: ★★★☆♥


          *  Livro a partir da indicação da Maircella. Obrigada, meu bem. ♥

Nenhum comentário:

Postar um comentário



Design e Desenvolvimento por