6.12.14

Resenha: Suicidas - Raphael Montes

Postado por: Stefanie

Peguei esse bebê lá na biblioteca Mário de Andrade ♥

“Suicidas” é como uma daquelas cenas em que determinado personagem ateia fogo sobre líquidos altamente inflamáveis.  Ao fim, não sobra algo que tenha deixado de explodir.
 Nove jovens decidem se matar, mas digamos que eles querem dar um ar hollywoodiano ao espetáculo. Após escolher o palco - o misterioso porão de Cyrille’s House - uma Magnum 608 lhes soou o diretor perfeito. Ainda mais se as ações da peça fossem feitas a partir de um roteiro baseado em uma roleta russa. Só que de um jeitinho bem mais macabro.
Um ano depois do evento que terminou de um jeito tão misterioso quanto começou, a delegada Diana Guimarães encontra um livro. Nele, um dos participantes da roleta russa, conta algumas das coisas que aconteceram dentro daquele porão. Com novas pistas para compreender o porquê do estado em que encontraram a casa ao fim, a delegada reúne as mães desses jovens para que não só tentem entender o que aconteceu, mas também o que levou seus filhos a cometerem suicídio. 


 “Suicidas” é aquele tipo de livro que dá vontade de deixar que os pensamentos esfriem, antes de se fazer uma resenha. Mas, alguns minutos antes, notei que também é aquele tipo de livro que nunca vai esfriar dentro da nossa mente. É aquele tipo de história que te corrói. Que perturba sua mente com um quê de realidade que muitos não querem conhecer. Mas como o próprio narrador diz... Apesar de ser horrível, você não consegue parar de ler. Porque você quer saber o que vai acontecer, mesmo que lhe embrulhe o estômago. Mesmo que lhe dê vertigem.
 O livro como um todo é muito bem escrito. Me peguei até mesmo arrepiada com como a descrição fazia com que tudo soasse real até demais. A descrição do autor é tão bem feita, na medida certa, que era como se eu até mesmo conseguisse sentir o cheiro do lugar. Realidade não tão agradável, mas digna de respeito. Afinal, não são todos os autores que têm capacidade de dar vida às palavras. Uma coisa é você escrever um texto. Outro é deixar que este soe como batimentos cardíacos. Entende? Raphael Montes consegue. 
 Porém, nem tudo foi perfeito.


 Encontrei certas lacunas na história. São buracos bem discretos, para ser sincera, que muitos podem inclusive tranquilamente deixar passar; contudo, como uma fiel fã de uma boa literatura policial, fiquei com certa pulga atrás de orelha. Se prejudicou a leitura? Não mesmo! Mas me peguei torcendo o nariz em dois ou três momentos, em que certas explicações não batem. Não fazem muito sentido.
 Ou talvez eu só esteja acostumada demais com a Amy.
 Outro ponto que me incomodou bastante, e talvez isso seja um spoiler – mas não posso deixar de mencionar, é que o enredo em si, principalmente o desfecho, me lembrou bastante a obra “O Assassinato de Roger Ackroyd”, da eterna Agatha Christie. Se eu esperava aquele final? Sinceramente não. Mas não me convenceu totalmente. Na verdade deu uma boa esfriada. Aliás... É sobre isso que quero falar.


 O começo da obra surge como uma tremenda explosão. Até mesmo me lembro de como me senti desnortear na medida em que virava as primeiras páginas. Praticamente as engolia. A história seguia como um grande incêndio. Porém, lá pro meio, é como se estas chamas fossem apagando, entende? Não deixaram de queimar. Mas não tinham mais aquela intensidade toda. A história continua boa, mas o ritmo se perde um pouco; cai. O que, sinceramente, ligeiramente me decepcionou um tanto, mas não o bastante para eu questionar a grande ideia do autor.
 É incrível como ele se insere na obra, aliás. O livro cheira quase como uma autobiografia. Fictícia, sim. Mas a ligação entre os dois mundos é incrível. Ao ponto de valer a pena ler só por esse detalhe. 
 Muito bem escrito, com palavras sabiamente usadas. As personagens aliás, foram muito bem criadas. É indiscutível que a personalidade dos jovens se destacam, bem mais do que as de suas mães, mas estas se completam de um jeito admirável e real.
 Entre pontos mais positivos do que negativos, mais do que recomendo a obra. Aliás, mais abaixo, vocês vão ver que até mesmo a favoritei. Os pontos que me deixaram com um ponto de interrogação não foram incômodos o bastante para me fazer desgostar do livro, pelo contrário. Até mesmo estou louca por um exemplar do mesmo na minha biblioteca pessoal, porque é o tipo de obra que adoraria reler.
 E tenho certeza que você, leitor que gosta de uma boa obra policial, também.



Título: Suicidas
Autor: Raphael Montes
Páginas: 488
Editora: Saraiva/Benvirá
Nota: ★★★★★♥

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