10.1.15

Resenha: Dias Perfeitos - Raphael Montes

Postado por: Stefanie




 Expectativa é uma merda.
 Terminei "Suicidas" no ano passado quase surtando. Ou melhor, surtei. Como disse na resenha o livro deu, pra mim, uma ligeira esfriada com o decorrer das páginas. Contudo, mesmo assim, não penso duas vezes em dizer que foi um dos melhores livros que li em 2014. Por uma série de motivos. Os quais não são necessários repetir, mas ainda me deixaram com uma puta expectativa para o último romance lançado de Raphael Montes, "Dias Perfeitos".
 Calma... Não tô falando que o livro não é bom. Ele é. Mas segue por um caminho decepcionante.
 Mas vamos por parte...



 Em “Dias Perfeitos” conhecemos Téo. Um estudante de medicina muito do psicopata. Frio, insensível, calculista, demasiadamente racional. Até que ele conhece Clarice. 
 Calma! Não se trata de um daqueles livros melosos em que a mocinha transforma o cafajeste em moço de família. “Dias Perfeitos” é um livro que transpira insanidade. E essa passa a escorrer pelas páginas no momento exato em que Téo se apaixona por Clarice, perseguindo-a até que a sequestra. Afinal, na mente insana do protagonista, se ela não o ama por bem, vai ter que amar por mal.
 E aí está a grande sacada do Senhor Montes. 


 A maneira com que ele constrói o livro é incrível. Aliás, desde o primeiro romance, o autor dá uma puta aula de como é que se constrói um personagem. Isso ele é bom. Continua bom, e a maneira com que ele expõe os motivos e desejos de Téo chegam a ser tocantes. Você sente verdade nas palavras. Não no sentido de concordar. Mas no sentido de você sentir que ele realmente acredita que está fazendo o melhor. O bem. O racional. 
 Claro. Com seu jeitinho insano de ser. 
 O livro então se desenvolve a partir dos olhos do psicopata, que a todo tempo tenta obrigar Clarice a amá-lo de volta. Uma ficção, sim. Mas daquelas que te arrepia ainda mais quando você lembra que de fato acontece. Há pessoas assim lá fora. Pessoas que, como Téo, dão motivos absurdos para desejos insanos, de um jeito que exemplifica o quanto a literatura reflete a sociedade.
 Mas nem tudo é perfeito aí. 


 Costumo dizer que, até mesmo na insanidade, há limite. Um limite que chega no momento em que algo não é mais crível. Possível. E, sem querer dar spoiler, não tem algo que mais me frustra do que quando aquele personagem que tem tudo para tomar as rédeas, falha de um jeito tão...
 Amador.
 Absurdo.
 Irreal.

 Estúpido?

 O livro de repente toma um rumo que não tomaria se tudo tivesse continuado possível como estava. Isso porque acontece algo tão frustrante que fiquei um bom tempo olhando para o livro com aquela cara de:
 "Sério?"

 Sério.



 Não estou reclamando do final. O frustrante foi o caminho que ele buscou para chegar àquele final. Não é possível. Não faz sentido. Não pra mim. Não do jeito que ele construiu os personagens. Para mim... Se Raphael Montes quisesse esse fim, deveria então ter construído um dos personagens de um jeito bem diferente. Porque desse... Tenho certeza que isso não teria acontecido.
 Não no mundo real.
 Fora isso, admito que não tenho do que reclamar, apesar de ter sido um rombo e tanto na história. Por isso dei três estrelas. O livro é bom, mas não é perfeito. Inclusive o indico sim, com a ansiedade de saber se mais alguém também acha que algo que acontece depois de página 186 é absurdo mesmo ou se eu apenas estou exigindo demais.
 Apesar de que me soa ainda mais absurdo a cada novo segundo que penso sobre o que aconteceu.


 Vá ler. Tem muitas coisas boas. Mas aconselho não ir como eu, cheia de expectativas. Raphael Montes é ótimos em muitas coisas, mas tá havendo, ao menos pra mim, uma espécie de padrão em fazer algo que não me soa crível ou empolgante o bastante. Fazer o quê? Aconteceu com "Suicidas", aconteceu com “Dias Perfeitos”. A diferença é que “Suicidas” mexeu comigo o bastante para eu perdoar.
 Espero pelo próximo romance do autor. Sim, eu quero ler. Apesar de ele sempre me dar um balde de água fria, o autor tem muitos pontos para recompensar, nem que seja só por aquele verdadeiro toque de insanidade que escorre pelas páginas. Afinal, é ou não é literatura?


Título: Dias Perfeitos
Autor: Raphael Montes
Páginas: 274
Editora: Companhia das Letras
Nota: ★★★☆☆

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