20.6.15

Resenha: Insurgente - Veronica Roth

Postado por: Stefanie



  Ao menos para mim, existe certo receio ao iniciar uma trilogia, série, ou qualquer história que contenha mais de um livro. Isso porque sei, tenho certeza, de que as coisas drasticamente vão mudar. Meu receio? Receio que mude para o pior, e a leitura que já não era lá essas coisas, se torne insuportável. Ou, ainda pior, uma leitura que me conquistou, de repente se torne algo que eu apenas deseje jogar pela janela. Como a série “Bruxos e Bruxas”.
  Graças a Deus, não aconteceu com Divergente. Ao menos não ainda.


  Insurgente é o segundo volume da famosa trilogia já citada, mais uma história distópica que desnorteou pessoas e pessoas. A qual, apesar de muito comparada, sobretudo a Jogos Vorazes, a mim soou diferente de toda e qualquer distopia que já tenha lido. Justamente por causa da questão política que abordei na resenha do primeiro livro. O que não é um ponto positivo, eu sei, mas ainda é um diferencial.
  Fiquei certo tempo pensando sobre o que principalmente diferenciava um livro do outro. Depois de muito analisar, basicamente concluí que “Divergente” nos traz uma versão mais fria da história, enquanto “Insurgente” vem para dar aquele gás distópico que tanto sentia falta. Isso porque, no primeiro volume, às vezes até me esquecia de que se tratava de uma distopia, pelo excesso de romantismo desnecessário.


  Se este desapareceu? Não. Tá até aceitável. Acho que por conta de como a senhora Roth o deixou mais real. Não só à realidade propriamente dita, mas ao contexto da história. É como se este coubesse melhor entre as linhas, ainda que o sinto um tanto quanto apertado, mas não chega a incomodar. Cheguei a até rir.
  Em falar em risos...
  Lembram-se daquele tom cômico forçado que citei na resenha anterior? Pois então, esse também se suaviza bastante. Graças a Deus. Não aguentava mais aquelas piadas que queriam me forçar a rir, fazendo com que eu apenas as achasse ainda mais idiotas. Não que cheguei a gargalhar, mas nesse volume me peguei até mesmo relendo muitos momentos, engraçados ou não, só pela maneira com que as frases eram mais gostosas de serem lidas. Gostei da maneira com que se formaram. Como se tudo fosse natural, sem querer.
  O que é primordial para que um livro se torne bom.
  Aqui as coisas mudam da água para o vinho, até aquela pseudo crítica ao governo cria pilares. Neste livro finalmente sinto uma essência verdadeiramente distópica, porque finalmente os personagens se dão conta de que não adianta ficar brigando por um poder se for para tudo continuar na mesma. É como se eles aqui se mostrassem mais adultos, e percebessem que mudar a pessoa no comando não vai fazer diferença se esse novo líder pensar ou desejar o mesmo que o anterior.
  Até que enfim.


  A personalidade dos personagens então se torna ainda mais forte; gosto de sentir a individualidade de cada um, ainda que não em um caráter egoísta e não humanitário. Cada um tem seu próprio jeito, suas próprias opiniões firmes, que os fazem soar bem mais reais. Gosto das reviravoltas, que não os fazem se perder de si mesmos, e até mesmo aqueles personagens, como Peter, que toma uma atitude que perigosamente poderia fazê-lo parecer outra pessoa, continua sendo ele mesmo.
  Ainda que de um jeito bem mais agradável.
  A curiosidade nesse livro então alcança níveis que me faria jogá-lo na parede se não fosse a maneira com que ele já está manchado de base e amassado porque caiu na água (sou cuidadosa com meus livros, foi só um pequeno grande acidente), tudo porque este enfim me permite dizer, com mais convicção, que é bom de verdade. Bem melhor que o primeiro, aliás. Ao ponto de me fazer pensar que todo aquele blablabla do primeiro poderia muito bem ter sido resumido em bem menos páginas, até que a parte boa enfim começasse.
  É como se em Insurgente a essência da história finalmente fosse apresentada. É como se neste finalmente o que interessa começasse, fazendo com que eu me sinta absurdamente curiosa para começar o terceiro, e torcer para que seja tão bom quanto.
  Por favor, melhor.
  Dessa maneira me despeço de vocês, e volto quando terminar o terceiro. Porém, antes, se me permitem certo quê de sinceridade, sobretudo para quem diz que Divergente é uma cópia de Jogos Vorazes:
  Really, Bitch?
  Com o final de Insurgente, vocês realmente acham que lembra Jogos Vorazes?
  Porque ó... Em um segundo mais de sinceridade, aquele “segredo” pra mim é Maze Runner puro.
  Não que eu esteja comparando, mas quem já leu ambos, sabe exatamente sobre o que estou falando.



Título: Insurgente
Série: Divergente
Autora: Veronica Roth
Páginas: 509
Editora: Rocco
Nota: ★★★★☆


Créditos: Agradecimentos especiais à Marcella que fez as fotos com sua super câmera 

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