6.7.15

Resenha: Convergente - Veronica Roth

Postado por: Stefanie
  

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS


  Então, eu li o último volume da trilogia Divergente.
  “Convergente” então nos mostra o final de toda aquela batalha de destruição e não destruição das facções, o que acontece quando todos descobrem que existe sim vida fora das barreiras, com possíveis desafios muito mais complexos do que aqueles que eles já enfrentavam.
  No terceiro e último livro então conhecemos o que é que tanto acontece lá fora, porque alguns estavam “presos” no sistema de facções e, principalmente, o propósito. Dispensando spoilers por enquanto, é o que você precisa saber antes de iniciar o que é, pra mim, uma história completamente diferente da qual ela estava escrevendo no primeiro livro da trilogia.


  Não me levem a mal, mas sendo sincera, se posso resumir a trilogia em uma frase, diria que a autora escreve três histórias diferentes e usa o mesmo título para economizar criatividade. Para mim, ela cria uma história X em Divergente, a destrói para criar outra história Y em Insurgente, e então outra Z em Convergente, fazendo com que estas não façam sentido algum. Ao menos não para mim.
  É primordial que um autor saiba ligar um livro ao outro, se o que ele deseja é criar uma série, trilogia, ou qualquer tipo de sequência. Isso porque supõe-se que seja uma continuação. Tudo bem que se trata dos mesmos personagens, mesma época e mais ou menos o mesmo ambiente, mas não vejo sentido algum em ela construir algo para completamente destruir depois.
  É como se a Senhorita Roth tivesse perdido o fio da meada.


  Veja bem, no primeiro livro ela cria o sistema de facções, o qual eu tenho de admitir que é incrível. Eu particularmente amei as facções, o propósito delas e tudo o mais, como já disse em resenhas anteriores. Contudo, de repente a autora completamente as destrói, quase como se nunca estivessem existido, para que todos comecem a brigar uns com os outros. Ou seja, no segundo livro, as facções não importam mais, mas somente quem vai ficar no poder.
  Com o detalhe de que essa luta pelo poder, é para deixar que tudo o que reclamavam continue da mesma maneira.
  Então, no terceiro livro, de repente essa luta é jogada para segundo plano, porque um grupo X de cientistas têm o propósito Y que surge do nada, sem deixar migalhas no caminho. O máximo de “dicas” que a autora dá é de que supostamente tem algo lá fora, mas não passa disso, o que torna a história ainda mais rasa.


  Eu particularmente prefiro o segundo livro. Acho que é o mais interessante da trilogia. Inclusive, acredito que se tivesse continuado naquele mesmo ritmo, poderia ter um desfecho muito melhor. O que não aconteceu. Mas, sem duvida, o pior de tudo nem é o constrói, destrói, constrói, destrói, mas sim a maneira com que, no final, acontece tudo aquilo para tudo e simplesmente: Nada.
  É, nada.
  É aqui que eu preciso falar alguns spoilers para explicar meu ponto de vista.
A coisa mais sem noção na trilogia, para mim, é a maneira com que eles lutam, matam e morrem para simplesmente nada. Isso porque o motivo de tal batalha é fazer com que a população que tem genes supostamente danificados pare de ser excluída e destruída. Só que depois de tudo isso, o máximo que eles conseguem é fazer com que tal objetivo seja possível somente na parte em que vivem, porque o restante do mundo continua o mesmo, com todos os “defeitos” que eles estavam tentando superar. Com toda a “maldade” que eles estavam tentando destruir.
  Ou seja, qual o sentido de tudo isso?


  Veronica Roth se deu o trabalho de escrever três livros, intencionalmente distópicos, para não chegar a lugar algum? Não questiono nem a questão do tudo continuar o mesmo, mas sim a maneira com que todos os personagens, absolutamente todos, de repente ainda aceitam a pseudo vitória de meio metro quadrado e simplesmente se esquecem de todo o resto do mundo, o mesmo que eles supostamente queriam salvar.
  Entende? É como se eles simplesmente não se importassem mais, sendo que antes estavam supostamente revoltados.
  É o que eu entendo como rebeldia sem causa.
  Como podem ver, minha opinião sobre a trilogia em si não é lá muito positiva. Se eu disser que odiei ler estaria mentindo, mas está longe de ser uma boa história. Em minha opinião, a Senhorita Roth acertou em cheio na criação das facções, mas meteu o pé na jaca no desenvolvimento da história em si. Esta não convence, não faz sentido algum, e muito menos chega em algum lugar. Isso sem contar o motivo sem noção de eles separarem pessoas por genes danificados ou não, com a desculpa de que no passado as pessoas eram puramente “boas”, não faziam guerra, não matavam.
  Sério, em qual planeta?


  Antes então que essa resenha se torne ainda maior, vou tentar findá-la por aqui. Para quem gosta de distopia, vá em frente, tente. Para mim não funcionou, mas a quantidade de fãs por aí mostra que minha opinião sobre não é muito comum. Portanto, indico para quem tiver curiosidade, ou está naquela fase de sede por distopias, e desejo que se divirtam muito com as facções, pelo tempo curto que elas duram, pela criatividade incrível que as rodeia. Mas só a elas mesmo.



Título: Convergente
Série: Divergente
Autora: Veronica Roth
Páginas: 528
Editora: Rocco
Nota: ★★☆☆☆

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