31.8.15

Personificando: De Volta Ao Chão

Postado por: Stefanie


A porta não bateu com tanta força assim.
Mas por algum motivo ela ainda parecia ecoar dentro da minha cabeça.
Como se, continuamente, o estrondo se chocasse ao encontro de cada canto do meu cérebro, não querendo escapar.
Por que não escapava?
Por que não saía?
Talvez porque eu mesma não saía.
Não saía daquela sinuca de bico em que havia me metido.
Ou que, talvez, a própria vida tinha me metido.
- Escolhe.
Ela dizia.
- Para.
Não podia escolher.
Ou vai ou fica.
Se ficar, perde. Se for?
Também.
- Escolhe.
Aquela palavra de repente se mesclava às batidas, deixando-a ainda mais forte. Tão, tão forte, que era como se nem toda minha própria força pudesse superar.
Se é que eu ainda tinha alguma.
O que fazer?
O que fazer quando o tronco a ser rompido é mais grosso do que imaginava? Às vezes, é como se fosse feito de aço, e sei lá mais quantos tipos de segurança, como aquelas que foram usadas no “Quarto do Pânico”. Inquebrável. Inabalável. Inacessível.
Mas ainda claustrofóbico.
Apertado.
Olhava nos olhos dela e sentia meu peito se apertar. Olhava pela janela e sentia a brisa me alcançar.
Mas eu sabia que o primeiro passo para fora faria com que aquela mesma brisa envolvesse meu pescoço tão forte quanto um nó de sufocamento.
E às vezes é como se eu realmente me sentisse sufocar. Pela liberdade que eu tanto anseio.
Pela liberdade que às vezes acho que nunca terei.
O que é certo? O que é errado? Ou melhor... Até que ponto vai o certo, e começa o errado?
Por que tudo tem que ser tão complicado?
Queria aquela brisa envolvendo todo meu corpo. Mas o aperto no peito me impedia de curtir o momento. Como se fosse errado voar, quando um outro alguém sequer criou asas.
E às vezes eu só queria a colocar nas costas, voar por ela.
- Vem, eu te seguro.
Mas daí entra o peso. O peso não da culpa. Mas o peso de quando ela se segura nas minhas asas, e me puxa de volta ao chão.



Por: Stefanie Oliveira

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